retiro

Tem horas que a vontade é de desaparecer. Me fechar num buraco entre os universos, me trancar no silêncio e na escuridão da inexistência, ser vazio e cercado de nada, renascer.

Seu troco, meu preço, sua pressa, minha prece, castigo. Vivo, morto, morto, vivo.

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dois em um

As pessoas realmente não se enxergam. É isso, o erro dos outros todo mundo vê, todo mundo julga, mas nem notam que são exatamente iguais aos que odeiam. Eu não sei exatamente qual a causa disso, não sei se essas pessoas simplesmente não se olham de fora, não se testam. Não se assumem como seres errantes. Eu sei que eu sou um pouco, na verdade muito, daquilo que odeio. E eu enxergo em mim, mesmo que hoje em escalas menores, tudo o que mais repudio no ser humano. Sou minha janela e meu espelho.

As pessoas são e depois odeiam por serem outra coisa. Deve-se entender que isso é um processo, e o processo é lento cumpadi. Se você não tivesse sido o que foi, passado pelo que passou…

era, ser, sou

Eu era cego como sempre fui
Eu era cego como ainda sei
Mas eu ouvi o vento que batia a porta
Ouvi o medo que de dor sorriu e se escondeu
A morte que de tanto ir ficou fincada nessa solidão
Eu vi a alma, a lama, a porta e o coração
Eu vi Jesus salvando os homens de outros nomes
Eu vi mentiras, ouvi boatos, vivi certezas, bebi cigarros
Eu era cego como sempre fui
E cego ainda com tudo que sei
Silêncio é dor e o som é fúria
Eu tenho os dois pra dar e vender
Mas o meu dom maior e mais calado que explosivo
Eu sigo, sempre sem nenhum sentido
E me repito, me repito e até mesmo me reprimo
Mas sou sincero e tento ser justo comigo e com o mundo
Tento não esconder minhas verdades e nem esconder as minhas vaidades
Eu quero, eu nem sempre tento, e muitas vezes eu posso
Mas ai nem sempre quero…
Meu sonho é simples demais
Distante demais
É livre demais pra se concretizar
Estou preso, nasci preso, e vou morrer sem me render
Eu ouço
Eu era cego.

dispensável

Essa é mais uma bela manhã. Eu me acostumei a só escrever ouvindo a mesma música. Uma musica que talvez eu pudesse conter. Uma musica que eu nem sei o nome. Ta longe…

Eu to longe e aqui está quente. Minha voz é cada dia mais distante, minha fome é cada dia mais sensata, meu amor é cada vez mais dia-a-dia. Eu me questiono os caminhos, eu morro quando aceito, mas sempre aceito, sempre, não tem outro jeito. Não sou livre, nunca fui e agora todas as minhas camisas estão manchadas, eu não sou eu.

É cedo demais pra pensar que já é tarde? É cedo demais pra pensar se vale a pena? É cedo demais pra que eu possa desistir? Ninguém tem essas respostas e Deus, como eu odeio dezembro!

Ao começo do fim de trás pra frente.

Ta tudo tão estranho hoje. Dia lento, sem vontade, se arrastando pro fim. Um fim a mais, mais um apenas entre tantos outros que já vieram e virão. Mas é inevitável pensar nas tormentas que podem acontecer nos próximos meses, é inevitável considerar que esses possam ser mesmo os nossos últimos meses por aqui e pode até parecer pra alguns que esse pensamento é completamente sem sentido, mas pra mim não.

Talvez isso possa ser apenas reflexo da minha mente perturbada pelo cansaço que exige a vida, ou um resquício da minha “antiga” mania de grandeza que consiste ou consistia em colocar relevância em tudo que acontece. Enfim, a questão é que eu não acredito que seja tudo mentira e por isso eu penso sim, e se tudo realmente acabar?

É um bom exercício. Refletir a sua existência ao considerar que ela pode estar perto do fim. Aquilo que pode ficar faltando, aquilo que você tanto quis a vida inteira, mas que foi ficando pra depois e depois e depois… E ai, fim.

Tyler Durden faz uma pergunta interessante quando está dirigindo um carro na chuva, no auge de seu poder ele quer saber o que você gostaria de ter feito se fosse morrer amanhã. Eu sei o que eu gostaria de fazer antes de morrer e como na maioria das vezes, meu desejo é simples. Eu gostaria de ter feito uma música. Não qualquer música, mas uma música que me deixasse satisfeito, que me expressasse. Uma música que fosse realmente minha música. Pode parecer pouco, mas é isso. Só isso.

Não consigo deixar de pensar que posso estar gastando meus últimos instantes dessa vida trabalhando. Me submetendo as vontades do sistema, as necessidades que criaram pra mim sem que eu tivesse direito de escolher. Casa, carro, dinheiro, poder. Todos nós temos escolha, mas nem sempre essa escolha que temos é a escolha que fizemos. Não sei se fui compreensível na frase anterior, mas o que quero dizer é que pegamos o que podemos pegar, fazemos o que dá pra fazer, sempre buscando o que for mais próximo ou compatível com nosso ideal, mas ideais são mesmo feitos para nunca serem alcançados não é?

É.

Não sei no que isso aqui vai dar, mas esse é meu próximo passo em busca de mim. Esse é meu próximo passo em busca do esclarecimento, da compreensão e da coexistência. Esse é meu próximo passo em direção a um mínimo de satisfação. Essa é a minha primeira carta e ela é destinada a todos aqueles que possam por ventura passar os olhos e perder seu tempo por aqui. Outras virão, em breve.

Obrigado