canto mudo – aos prantos

Pra onde devo ir?

Que rumo…

Que rumo?

Qual o caminho de casa?

O sabor da vitória e o segredo do amor?

Já que se espera só glória e alimenta o prazer

Como faz pra lidar com essa dor?

Quem é seu Deus?

Que cor você tem? Seu cigarro, segredo e religião

Seu amor, seu parceiro, sua voz, sua nação?

Mas quem é você?!

Como se faz pra entender?

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mar de mim

Se faz silêncio faz frio

Se abre a boca é carnaval

Eu não quero ir ao meio fio

Eu não quero fisgar esse anzol

Eu viro a mesa e erro o passo

Mas não sou eu quem diz que fica

O que vai não volta e aqui não tem vai e vem

Nem eu,  ou seu, mais meu… ninguém!

Se faz silêncio faz frio

Se o tempo muda é temporal

Atemporal

Têmpora

Morte cerebral

Coração bate, mente rebate

Contraste individual

E antes que seja tarde

Menos mal, menos mal…

dito

Eu gostaria de entender. Mas acho que eu já entendi que não devo tentar entender demais. Ando carregado de um sentimento ruim em relação às pessoas. Talvez por ter aberto os olhos para realidades que vão além da que vivo. Talvez por me sentir inútil diante de tamanhas diferenças. Ou quem sabe por simplesmente entender, que existem coisas que eu simplesmente não consigo entender.

 

Me coloquei a disposição de sei lá o que nesse mundo. Me coloquei aqui por vontade própria, talvez até mesmo de uma forma clandestina. Eu assim como muitos outros, ou quase todos pelo que percebo, me julguei mais do que isso aqui desde o primeiro dia. Me atirei nesse mundo com o pensamento em ser o bem, em fazer o bem, em entender e explicar. Me coloquei aqui disposto a encarar as verdades e a conhecer os motivos que fazem com que esse mundo seja esse (i)mundo.

 

Um dia eu sonhei, um sonho de olhos abertos, que eu descobriria toda a verdade. A verdade absoluta, que eu estaria sentado em frente a um computador escrevendo uma teoria como essa e que ao apertar a ultima tecla, um ponto final (.) tudo acabaria. A terra iria explodir. Game Over. Um homem haveria entendido a verdade sobre todas as coisas que existem. Um dia eu tive esse sonho, um sonho de olhos abertos. Hoje eu não sei dizer se é isso que eu realmente quero. Hoje eu sei que não consigo.

 

A idade me forçou a uma modéstia maior e para os que me conhecem, essa modéstia ainda parece pouco, mas eles sabem que não é só isso. Eles sabem que eu não sou só isso, só esse se achar mais. Eles sabem que eu tento ser um pouco de razão, uma razão que entende o que surge da emoção, uma razão que busca compreender as causas, os méritos e os erros e que enxerga em tudo, uma soma desses fatores. Todos tem culpa. Eu carrego as minhas.

 

O mundo tem se apresentado a mim através de uma tela. O mundo tem uma nova forma de se expor, uma forma talvez menos “letal” de se expor. O mundo diminui, mas continua longe demais da minha janela. A verdade quase nunca é bela e a certeza disso, de que existe o atroz em cada um de nós, essa certeza, tem me assustado.

 

É difícil pra mim colocar as minhas visões sobre algo tão complexo sem me explicar ao mesmo tempo. Eu sou o resultado das minhas percepções e eu sou o meu rato de laboratório, sendo assim, eu busco compreender a partir daquilo que eu sinto e levo de cada uma das minhas experiências. É mais que claro pra mim que isso nunca será uma formula e que dessa forma, nunca haverá um modo certo de ser ou uma verdade que se faça absoluta sobre todos os homens. O que há de Cristo em cada um de nós? O que há de rei em cada um de nós? O que há de desejo? De luxuria? De vontade? Crescemos assistindo as grandes estrelas e de repente estamos perto dos 30 e ainda não somos nada. O que há de errado com a gente?

 

Não posso tentar me prender a um raciocínio lógico, acredito no instinto acima de todas as coisas e possuo uma fé nas leis selvagens da natureza. Um morre, o outro vive. Um dia é da caça e o outro, é do caçador. O castrador.

 

Volta e meia vou dormir como se houvesse uma arma apontada pra minha cabeça. Como se houvesse uma faca encostada no meu coração ou no meu pescoço, às vezes sinto o gosto do trinta e oito entre meus dentes. Dizem por ai que são maus espíritos, dizem por ai que são coisas ruins. Não são. Tudo aquilo que não me destrói me torna mais forte. Eu temo uma única coisa nessa vida. E sobre ela eu não falo. Não aqui, não agora.

 

Sinto falta de ser. Sinto falta de coisas que nem sei explicar. Sinto falta de um tempo que nunca existiu. Eu gostaria de não ser apenas um wanna be. O fato é que eu sei que sou algo. Mas não consigo esclarecer o que e nem sequer se isso pode ser útil ou não. Às vezes eu penso que só não sou, por não poder ser. Por essa não ser a hora certa. Chamo isso de fé.

 

Pensei muito em ser só. Mas sempre tive a certeza de não ser único. Sempre soube que havia outros. Sempre soube…

 

Pra alguns parece estupidez me “expor” assim. Pra mim isso não é nada. Tenho medo é de quem se esconde ou se camufla através de imagens “compradas”, personalidades feitas sob medida para seus próprios traumas. É como se houvesse uma loja de fantasias que vendesse só alguns tipos de máscaras. Várias pessoas usam a mesma de outras, e ainda se enchem de orgulho pra dizer que não são aquilo. É estranho, vazio e vago. Eu preferia não ter que incluir os outros nas minhas analises, mas os outros também me moldam.

 

O fato é que eu não represento nada no todo. Eu não sou nada daquilo que acreditei ser. Eu não passo de mais um pobre coitado que se pensa alguém. Mas pelo menos eu tenho consciência disso. E creio que esse seja o começo pra que eu possa me construir algo. Eu sei que vou ser o que devo ser. Sei que não é por acaso que as coisas acontecem como acontecem, e sei disso por ter fé nesse acaso em que volta e meia me jogo. Nada daqui importa. Nada que se diz ou se mostra tem valor algum. Apenas vale aquilo que realmente se é.

aos senhores

Não ir longe demais pra chegar mais perto

Cartas que nunca chegam ao destino correto

Mesas que nunca estão vazias

Mentes que se mantêm sedentas

Não sou só

Sou um a mais

Um que é por ter com quem ser

Um com todos

Todos por todos

Mesmo que todos sejam outros

É nossa missão

Ser mais e sermos iguais

Revisão

Não sei se há em mim algo que valha tanta esperança. Não sei se há em mim a capacidade e a dedicação pra ter uma vida de sonhos reais. Não sei se há em mim algo além da vontade de ser. E por mais que isso possa por si só já determinar algum valor, a verdade é que isso não é nada.

E assim sou eu. Faz muitos anos que assim sou eu. Assim sou eu desde que eu me entendo por gente. Assim sou eu desde o primeiro minuto e desde o ultimo segundo. Assim sou eu e eu sempre assim sendo, acabo voltando as mesmas coisas. Repetidamente, me mantenho em meu lugar.

Os dias correm, correm mesmo e pra longe, pra muito longe. Eu observo e analiso tudo o que consigo, mas observar não traz sonhos pra realidade, apenas os alimenta ainda mais de impossibilidades. Eu vou pra longe demais e cada dia mais e mais longe dos demais.

Lembro-me de quando eu ouvia essa música, trancado no meu quarto e com as janelas fechadas e cantava com todo o meu coração essa letra que eu pouco entendia. Eu sei que não sou mais aquele menino, mas sei que ele ainda é o que eu sou. E que eu e ele estaremos sempre unidos pelas marcas que deixamos um no outro. Ele nem sequer sonhava tanto como eu sonho hoje. Ele não precisava. Ele era muito melhor do que eu sou. Ele era muito maior do que eu sou. Ele podia ser tudo. Eu não posso; não mais.

Houve um tempo depois em que o menino resolveu buscar significados. Deu a cara à tapa, se fez de cobaia da sua própria experiência. Cresceu, viveu e aprendeu. Como ele aprendeu. Se fechou numa solidão absoluta, largou mão do mundo pra poder entender o quanto o mundo fazia com que ele fosse diferente do que realmente era.  O menino foi atrás de Deus, mas não achou o que procurava.

No começo ele pensou que então tudo o que ele acreditava estava errado e que não haveria salvação alguma. Largou mão de usar alguns atalhos. Resolveu fechar os olhos e seguir as cegas. Encontrou sábios e aproveitadores. Encontrou respostas e formulou novas perguntas. Encontrou conforto entre outros que também haviam tomado aquele mesmo caminho. Se definiu homem e aceitou a queda. Reuniu forças, revirou a vida, recomeçou.

Hoje quando eu olho pra trás eu sinto falta daquilo que eu sentia. Hoje quando eu olho pra trás eu percebo que muito tempo se passou. Hoje quando eu olho pra trás, faltam palavras e eu me pergunto se já estive mais perto. Parece que sim. Pra onde fui eu sei, e sei também o que me levou até lá e o que me trouxe de volta até aqui e agora.

Sinto que uma nova e definitiva jornada se aproxima, mas antes de partir em busca do incerto, eu preciso ir mais fundo do que nunca fui. Eu preciso enxergar o que existe por baixo de todo o “eu” que carrego. Eu preciso estar sem luz, sem força e sem medo. Preciso fechar meus olhos e flutuar no escuro azul do meu próprio abismo.

Acordo

Te peço agora e somente agora

Nunca mais eu ousarei me repetir depois daqui

Te peço agora e que agora dure para sempre

Nunca mais eu quero o amanhã que sempre esta por vir

 

Pra onde vai o tempo que não passa?

Pra onde vão os sonhos que não vivemos?

Pra onde vai o que deixamos de ser?

 

Não é nada que eu nunca tenha visto

Mas me encanta

Não é nada que eu nunca tenha sido

Mas me enoja

Não é nada que eu nunca tenha amado

Mas me odeia

 

Me engole

Me clama e me culpa

Me tortura com essa sua amargura

Estraçalha o meu rosto de anseio e me corta a alma

 

É silêncio

Seu silêncio diante a minha pergunta

Mas eu não quero me calar!

Eu não vou!

 

Eu te trouxe a vida e agora te deixo morrer

 

Encontre a sua voz distante de mim e sangre

Sangre como se em você houvesse o sangue que sustenta todo o mundo

Sangre em vermelho e quente

Veja com seus próprios olhos

Deseje esse mal

Se engane

Caia, erre, seja

Veja

Que não é você quem faz aqui

Não é você quem manda aqui

Não é você

O não é você

Negue.

 

E aceite

space monkey 3

 

Estou preso ao chão de algum lugar

De lugar nenhum

Meu peso me sufoca

Minhas pernas se destroçam

Estou lá e aqui não há mais nada

Eu não tenho certeza de absolutamente nada

Fecho os olhos e vou pra casa o mais rápido que posso

Abro os olhos e só vejo areia

Mas não há nada além de estrelas

Não há nada além de frio e imensidão

Eu vago a sorte do universo

Eu sou o ultimo homem do infinito

Mas ainda assim, eu continuo perdido.