branco

Branco

 

Ó que não se diz

O que cala de tão alto

Fundo da verdade

Gelo

 

Transparência de doer

Infinidades

Infinitidão

Inventivo esse nada

 

Corrosivo esse nada

 

_  _ _

 

Se meu peito explodir, eu te deixo um pedaço

Um retrato de mim ao quadrado

Faço um texto, um amontoado de letra tentando dizer

Eu me calo e espero sangrar até a hora em que eu morrer

 

Lento

 

Tento

 

Crer

 

       

 

Em liberdade

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Velório | Escritório

Eu não preciso que você entenda e nem que queira.

Eu não preciso que você escute; que você esqueça.

Eu não preciso dizer!

Eu sofro tanto quanto você…

 

mas ninguém mais vê.

 

Sem pra onde ir

Sem pelo que ser

Sem amor

Sem perdão

 

Eu não quero mais morrer tão lento assim

Eu não quero mais morar numa morte sem fim

Sem fim, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer!

E de tão morto não ter mais condição de viver

Não ter mais coração pra bater

Não ter mais brilho no olhar

Não ter mais ar pra respirar e amor pra espalhar

De tão morto, não mais levantar.

 

Mas ninguém mais vê!

Mas ninguém mais vê!

Ninguém mais ver!

 

Meu coração morreu e ninguém apareceu pro velório

Todos estavam ocupados demais com os afazeres do escritório

Inclusive eu.

o vazio

ele não sabe nem o que é

mas certamente existe

 

o sol nasce

o dia corre

 

nunca houve tanto peso

 

o coração se desfaz em aflição

 

sem desejo

 

além da cura

 

nunca foi tão pesado

 

e mesmo cercado ele se vê só ao olhar para o lado

ele se vê só diante daquilo que o mastiga de dentro pra fora

ele não tem pra onde fugir

e assim…

 

silêncio que se desfaz em verdade

dor que lenta se aguenta até que exploda!

 

a imensidão de um universo efêmero

que se perde entre os dedos e os segundos

a fagulha que desliga a mente e tranquiliza a alma

ecoa pelo quarto a solidão

 

a voz da loucura

a liberdade única

superando qualquer tom de razão

escapa a dor, escorre o som

 

ele não sabe nem o que é

mas certamente insiste

chamado ao tempo

Espero a ordem

Aguardo com paciência o momento em que será dito:

“Vá!”

Até lá todas as incertezas são combustíveis inflamáveis a pesar minhas ideias

 

Espero a ordem

Me espalho no caos a procura do chamado do tempo:

“Venha ser eterno”

Mesmo que apenas na lembrança dos poucos minutos de ardor sincero

 

Só temo a mim e ao monstro que se esconde no meu abismo

Só temo a mim e a incerteza que me domina antes de cada queda

Só temo a minha incapacidade em fazer-me relevante diante dos fatos

 

A vida me atropela em sua lentidão absoluta

O tempo senhor de todas as dores

O tempo senhor da verdade

O tempo senhor absoluto da imensidão,

da infinidade, do amor e da coragem.

Meu sábio mestre.

 

 

“são flores de um longo inverno”

Depois de mim

Tem sim

Que haver um fim

 

Sou duas vezes

Quatro vozes

Oito vincos

 

Lampejos de paz

Em dezesseis cores

 

Cento e vinte um amigos

Com noventa e sete nomes diferentes

 

Retratos de baixa definição

 

Vontades com pouca compensação

 

– Eu não queria, mas…

 

Eu não quero mais

 

Vazio que engole até o ar

Peso que derruba a alma

Olhos que teimam em se abrir

Num coração que quer explodir

Em desistir e existir

 

Perco meus escudos

Perco as forças

Perco a voz

 

Depois de mim

Tem sim

Que haver pra onde ir.

 ↔ 

Pequenas coisas feitas de plástico
Um exercício diário
Falta de fôlego
Eu não sou mais o mesmo
Falho mais, sofro mais, sangro mais
Café e despertador
Sol num vento frio
Silêncio, ausência, regresso
Eu nem sempre me interesso pelo excesso
Procuro em vão aquilo que me incendeie
Falta chama nessa composição mundana
Falta alma, vida, verdade
Será que você vai fugir?
Libertar
Num grunhido
Aquela dor que jamais fez sentido
Depois é tudo silêncio
Vazio, mas ainda assim… intenso