alto risco

Minha voz é silêncio

Eu sou limite atrás de limite

Fecho pouco a pouco

E alimento meu voraz desejo

De me expandir

 

Você entende que pra isso eu teria que ser capaz de crer antes de mais nada na minha própria capacidade de ser?

 

Minha voz é silêncio

Minha vista escuridão

Meus ouvidos são tormento

Inaptidão

 

Quem aposta assim?

Quem aposta em mim?

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pluma

Que tempo lento

Tanto faz

Eu já não ligo mais

Meu argumento

É um tormento

Que me faz olhar pra trás

 

E eu tropeço e entorpeço

Estou disperso, eu reconheço

Mas é que a vida acelerou seu caminhão sem freio em minha direção

E eu abri os braços e o sorriso pra esperar a colisão

 

Sentir o cheiro do meu sangue no asfalto

Enquanto eu despedaço

Enquanto o meu corpo se entrega ao alto e infinito abraço do espaço

 

E eu vejo a calma que essa dor liberta

Eu perco a alma e deixo a vida as cegas

Enquanto apago minhas palavras certas e minhas mãos se prendem nessas pedras

 

Meu pouso bruto

Remove a pele

Revela a carne

Desliga o tempo

Me escancara ao mundo sem o meu consentimento

 

E lá estou

E aquilo eu sou

Um pingo de chuva me avisa:

“Ainda não terminou”

maior que o sol

Eu disse tantas vezes. Quando eu olho pra trás, eu vejo que eu disse tantas vezes. Tantas coisas iguais, diferentes, únicas. Tudo dito, tantas vezes, tantas e tantas vezes. O que mais fiz foi dizer. Dizer foi o que mais me fez. O que mais fiz foi escrever e esperar que de alguma forma isso me trouxesse alguma coisa e que de todas as formas, isso me livrasse de tantas outras. O que mais fiz na minha vida, foi dizer. Eu vim aqui e me joguei entre as letras que tentavam me traduzir, eu afundei entre as vírgulas e pontos que eu esqueci no caminho. Fechei meus olhos e acreditei que essa era a solução. Sem medo, sem vergonha, sem querer nada em troca. Eu simplesmente vim e disse e parece que eu nunca mais vou deixar de vir. Nunca mais. Tenho coisas que são pra sempre, coisas maiores que o sol.

se eu silencio

Minha conversa com o silêncio é sempre cheia de argumentos. Desculpas cretinas e verdades simuladas. Sempre cheia de suposições e de um engajamento tão intenso quanto efêmero. Minha conversa com o silêncio muitas vezes pede música, pede água, pede fogo, pede passo. E assim eu faço, mas não calo. Sempre escrevo pouco quando é perto do meu aniversário.